E quando a anestesia passou
Ali, sozinha, naquele quarto frio
Sentiu um medo tão incomum
Tão inesperado, tão profundo
De repente sentiu a certeza
De que sempre esteve sozinha
E que todas as palavras foram vazias
E que todo o sentimento foi ilusão
As dores pareciam competir entre si
Almejando ser a melhor, a maior
A dor do abandono
A dor do descaso
A dor do engano
A dor do remorso
A dor da solidão
E elas habitavam sozinhas o peito
Atormentado pela dúvida
E a revolta era contida pelo desanimo
E a esperança, sufocada pela tristeza
E a noite caiu tão fúnebre que parecia anunciar que o crepúsculo iria durar uma eternidade...
Não lhe restou alternativa senão recolher-se à sua completa insignificância, tão recentemente desbravada, e adormecer, quem dera para sempre.
Foi quando um tino de otimismo lhe sobreveio como que por um raio de luz divina, afinal pelo menos a verdade lhe foi revelada, os seus olhos desvendados, poderia seguir de alma lavada, livre da culpa...
E a esperança quis fortalecer-se para superar a tristeza...
Seguiria o seu caminho, com mais uma marca, com mais um pedaço arrancado, mais uma cicatriz, mais dores... mas seguiria o seu caminho.

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