domingo, 23 de janeiro de 2011

Sem você não sei quem sou

De repente me vi ali sem você. Foi tão languido e ainda assim tão sereno. Triste... não se aplica. Feliz... também não. Poeta... certamente...
Lembro o dia que te conheci... o dançar de palavras fez o momento, a troca de sorrisos o encanto, senti dentro de mim uma certeza de que nunca nos perderíamos tão infinita quanto o medo. E a cada ameaça tremi entre lágrimas... mas você sempre voltava... E agora, de repente não voltas mais... Dor de poeta não é dor comum, não é bem um pesar, antes é inspiração... inspiração para relembrar todas as estrelas que um dia brilharam ante seus olhos... Poeta anseia muito mais o crepúsculo, identifica-se muito mais com a escuridão, e encontra a si mesmo na solidão e no silêncio, quebrado apenas pelo suave tilintar de escrever, de expressar no papel o que se esconde na alma... e a minha alma que sempre se confundiu com a sua, agora não consegue se encontrar... Se ao menos por um momento traduzisse-se em palavras a mensagem dos gestos, do abraço, do toque... Talvez minha alma não se tivesse perdido da tua e talvez o medo não se concretizasse... Talvez: palavra que emudece a coragem... Acho que todo poeta é medroso... Porque é tão fácil escrever quando é tão difícil, senão impossível, falar?... Ao menos um segundo queria eu ter a coragem de dizer diante dos seus olhos tudo o que digo diante do computador, nem que fosse para ter a certeza de que todas as minhas estrelas brilharam somente para mim, e que minha esfera celeste está fora do alcance dos teus olhos...

Um comentário:

  1. Gostei muito de seu texto, ele consegue desenhar os traços da alma de uma poeta. A solidão, o medo esvaziado em casa palavra. Estamos destinados a sermos ocultos para o mundo e revelados por nossas palavras. Belo texto, adorei. COntinue atualizando o blog, você escreve com a alma.

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