sábado, 3 de março de 2012

Mais uma vez

Entre delírios e devaneios
Sinto-te tão perto
Tão meu
Tão eu
Que esqueço-me completamente
Onde estou
Quem sou
Quem és
Circunda-me tão plenamente
Doce ilusão
Que sinto-me envolta em teus braços
Como se o tempo e o espaço
Pudesse se curvar diante do sentimento
E cada vez que a sanidade
Arremessa-me brutalmente à realidade
Sinto que o medo de te perder
Sempre foi tão grande
Que o universo o concedeu existência
E a vida me leva cada dia mais longe
De ti
De nós
De mim
Não sei se a vida está sendo complacente ou cruel
Tirando você aos pouquinhos assim
Pois toda vez que te perco
Perco a mim mesma
E toda vez que voltas
Acredito
E por mais que repita a mim mesma
Que o circulo irá prosseguir
Não consigo não acreditar
E quando vais embora
Fico a te olhar partir até sumires completamente no horizonte
E todos os dias olho o horizonte
E me agarro incansavelmente a cada detalhe
Me apego com voracidade a cada mísera lembrança
Resgato com devoção cada ínfimo elo perdido
Na esperança de algum deles te traga a mim
E recordo-me com tristeza
De que o medo de te perder sempre foi tão grande
Que chegou a superar a alegria de te ter entre meus lábios
E por isso talvez você sempre foi embora
E agora tão distante me pergunto se um dia
Terei você de volta
Outra vez
Se saberei ser tudo que precisa
Pra que nunca mais vá embora

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