Plantada entre espinhos e abrolhos e cercada por arame farpado.
Passou por ali um admirador, e encantado pensou em colhê-la para si.
Após muito esforço em vão resolveu desistir e seguir caminho olhando para trás enquanto a vista a alcançava.
Veio outro mais cuidadoso,refletiu,planejou,executou, conseguiu tocá-la, mas não conseguiu segurá-la. Pensou então que o tempo a tornaria mais acessível. Decidiu então esperar até que ela crescesse o suficiente para conseguir colhê-la sem entrar no canteiro. Sentou-se embaixo de uma árvore a admirá-la; acabou por pegar no sono.
Enquanto dormia veio um terceiro que encantou-se pela flor e decidiu tê-la para si. Trajou-se de vestimenta apropriada e num sobressalto pulou entre os espinhos e segurou a flor para cortá-la; mas haviam ali formigas que entraram pelas suas vestes rapidamente e o picaram todas ao mesmo tempo, de modo que na dor e no susto ele correu deixando a flor para trás e com marcas, porém em pé. Decidiu preparar-se melhor e cortá-la na volta.
Um quarto que passava por ali, viu o segundo dormindo e enquanto pensava o que haveria acontecido, avistou-a reluzindo os raios solares, e apaixonou-se. Decidiu colhê-la e levá-la consigo a fim de fazer um jardim de tal flor. Mas ao perceber os obstáculos hesitou. E nesse exato momento o segundo foi despertando, ao que o quarto foi esconder-se, desejando-a e temendo.
O segundo por sua vez, ao notar que alguém havia tentado cortar sua preciosa flor zangou-se e foi investigar o feito e o seu autor. Percebeu que havia pisado nos espinhos e notou a quantidade de formigas assanhadas ao redor, o que dificultava ainda mais o acesso. Resolveu aumentar a proteção para que ela pudesse crescer e se desenvolvesse até o ponto certo. Cavou então uma vala profunda e larga até que estivesse cheia com a água que nascia da terra, depois do que construiu uma ponte portátil, assim pensando: “eu e somente eu conseguirei chegar perto dela outra vez.”E decidiu partir e retornar no tempo certo.
O quarto, que observava tudo com vivido interesse, decidiu partir, munir-se de tudo o que fosse necessário e voltar antes do segundo para colhê-la.
A flor foi então deixada sozinha entre espinhos e abrolhos, machucada e cercada por uma vala cheia de água do subsolo.
O terceiro estava retornando quando avistou e viu que os obstáculos haviam aumentado, então pensou: “senão colhê-la agora quando retornar ela não estará mais aqui.”
Derrubou a árvore e com o seu tronco fez uma ponte, atravessou a vala, cortou a cerca, abriu caminho por entre os espinho, afastou as formigas com um veneno e finalmente alcançou-a.Tocou-lhe suavemente as pétalas e notou que havia deixado marca, decidiu cortá-la maneira a permitir que nascesse outra em seu lugar. Pegou água da vala e regou o caule. Apanhou sua estimada flor e seguiu contente de tê-la nas mãos, mas com a tranqüilidade de que não matou sua raiz e certo de que nasceriam outras flores tão belas quanto aquela novamente.

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